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SHANGHAI - Em 2008, seu primeiro ano de operação, a usina termelétrica Waigaoqiao Número 3, em Shanghai, na China, atingiu uma marca histórica: 287,44 gramas. Essa foi a quantidade média de carvão consumida para gerar 1 kilowatt-hora (kW/h), uma das medidas utilizadas para se avaliar a eficiência da queima desse combustível.

Até então, o melhor resultado era de 289 gramas, obtido na Dinamarca. Em 2011, novo recorde da chinesa: 276,02 gramas, o que a mantém entre as mais eficientes do mundo, diz Yu Xing Chao, diretor do Departamento de Pesquisas da usina, braço da estatal Shenergy Company, controlada pelo governo de Shanghai. Em 2015 (último dado disponível), em razão de variações do mercado e da carga de energia, a taxa ficou em 277,33 gramas, ligeiramente acima da melhor marca.

Se o carvão e outros combustíveis fósseis não se encaixam nas definições de fontes renováveis ou energias limpas, cabe buscar a maior eficiência possível na sua queima. Yu afirma que a usina, com duas unidades ultra-supercríticas de 1.000 MW cada, funciona hoje com níveis melhores de consumo de combustível e emissão de gases do que os planejados durante sua construção. As obras começaram em 2005 e receberam investimentos de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões) ao longo de três anos.

Yu diz que 2011, quando a usina atingiu sua melhor marca, foi o ano em que o governo chinês lançou um pacote de diretrizes para proteção ambiental que elevou a pressão sobre as térmicas. Em 2014, outra exigência: as usinas que utilizam carvão foram submetidas a um novo padrão para emissão de gases e partículas, mais rígido que os adotados em outros países, segundo o executivo.   

Além da quantidade de combustível consumida por unidade de energia gerada, observada em conjunto com a carga, há que se medir a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e partículas. Na China, o padrão fixado em julho de 2014 para as térmicas a carvão é de um máximo de 100 mg/m³ de NOx, mais rigoroso que o teto de 135 mg/m³ nos EUA e de 200 mg/m³ na União Europeia. A usina de Waigaoqiao emite 16,89 mg/m³ de NOx, afirma Yu.

A emissão de SO2 fica em 15,50 mg/m³, abaixo do limite chinês de 50 a 100 mg/m³ (teto de 184 nos EUA e 200 na Europa). Para as partículas, a taxa emitida pela unidade é de 2,17 mg/m³, afirma, longe do máximo de 20 a 30 mg/m³ na China (20 nos EUA e 30 na Europa).

As instalações da usina incluem caldeiras fornecidas pela francesa Alstom e turbinas da alemã Siemens, manufaturadas na China. Segundo informações técnicas da Siemens, as turbinas a vapor e os geradores contribuem para reduzir a taxa de emissões de carbono de Waigaoqiao em quase 2 milhões de toneladas por ano se comparada às de outras usinas a carvão na China.

O processo de geração é patenteado pela Waigaoqiao, que já fez acordos com outras companhias para aplicar o modelo no retrofit das usinas de Huarun, Shenghua, Datang e Huadian. A empresa também promove a tecnologia em outros países. Yu diz já ter recebido inclusive uma delegação brasileira.

O executivo explica que, diferente do Brasil, onde as térmicas a carvão ou gás atuam principalmente como complemento em uma matriz na qual predomina a energia hidráulica, na China elas têm papel preponderante. Em Shanghai, diz, Waigaoqiao supre cerca de 7% da necessidade de energia; outras térmicas, a carvão e gás, fornecem o equivalente a 43%. A outra metade é suprida por energia hidráulica e nuclear, diz.

A cidade tem um planejamento de longo prazo para 2040 com metas em várias áreas de desenvolvimento, inclusive meio ambiente. Melhorar a qualidade do ar é um dos objetivos.   

Em 2016, o governo local investiu 82 bilhões de iuanes (cerca de R$ 40 bilhões), ou 3% do seu PIB de 2,75 trilhões de iuanes (R$ 1,4 trilhão), em projetos de proteção ambiental.

A proporção de dias com qualidade do ar considerada boa em 2016 foi de 75,4%, ou 4,7 pontos percentuais acima do índice observado no ano anterior. A densidade diária de partículas inaláveis com diâmetro menor do que 2,5 micrômetros (PM 2.5) caiu 15%, para 45 µg/m³, segundo dados do Escritório de Informação do governo de Shanghai.

A meta para 2040 é de um índice anualizado de 20 µg/m³. O parâmetro para as emissões de gases é derrubar o volume em 15% em relação ao seu pico. Espera-se ainda que a proporção de energias renováveis na matriz chegue a 12% ou mais.  

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)

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SHANGHAI - Em 2008, seu primeiro ano de operação, a usina termelétrica Waigaoqiao Número 3, em Shanghai, na China, atingiu uma marca histórica: 287,44 gramas. Essa foi a quantidade média de carvão consumida para gerar 1 kilowatt-hora (kW/h), uma das medidas utilizadas para se avaliar a eficiência da queima desse combustível.

Até então, o melhor resultado era de 289 gramas, obtido na Dinamarca. Em 2011, novo recorde da chinesa: 276,02 gramas, o que a mantém entre as mais eficientes do mundo, diz Yu Xing Chao, diretor do Departamento de Pesquisas da usina, braço da estatal Shenergy Company, controlada pelo governo de Shanghai. Em 2015 (último dado disponível), em razão de variações do mercado e da carga de energia, a taxa ficou em 277,33 gramas, ligeiramente acima da melhor marca.

Se o carvão e outros combustíveis fósseis não se encaixam nas definições de fontes renováveis ou energias limpas, cabe buscar a maior eficiência possível na sua queima. Yu afirma que a usina, com duas unidades ultra-supercríticas de 1.000 MW cada, funciona hoje com níveis melhores de consumo de combustível e emissão de gases do que os planejados durante sua construção. As obras começaram em 2005 e receberam investimentos de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões) ao longo de três anos.

Yu diz que 2011, quando a usina atingiu sua melhor marca, foi o ano em que o governo chinês lançou um pacote de diretrizes para proteção ambiental que elevou a pressão sobre as térmicas. Em 2014, outra exigência: as usinas que utilizam carvão foram submetidas a um novo padrão para emissão de gases e partículas, mais rígido que os adotados em outros países, segundo o executivo.   

Além da quantidade de combustível consumida por unidade de energia gerada, observada em conjunto com a carga, há que se medir a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e partículas. Na China, o padrão fixado em julho de 2014 para as térmicas a carvão é de um máximo de 100 mg/m³ de NOx, mais rigoroso que o teto de 135 mg/m³ nos EUA e de 200 mg/m³ na União Europeia. A usina de Waigaoqiao emite 16,89 mg/m³ de NOx, afirma Yu.

A emissão de SO2 fica em 15,50 mg/m³, abaixo do limite chinês de 50 a 100 mg/m³ (teto de 184 nos EUA e 200 na Europa). Para as partículas, a taxa emitida pela unidade é de 2,17 mg/m³, afirma, longe do máximo de 20 a 30 mg/m³ na China (20 nos EUA e 30 na Europa).

As instalações da usina incluem caldeiras fornecidas pela francesa Alstom e turbinas da alemã Siemens, manufaturadas na China. Segundo informações técnicas da Siemens, as turbinas a vapor e os geradores contribuem para reduzir a taxa de emissões de carbono de Waigaoqiao em quase 2 milhões de toneladas por ano se comparada às de outras usinas a carvão na China.

O processo de geração é patenteado pela Waigaoqiao, que já fez acordos com outras companhias para aplicar o modelo no retrofit das usinas de Huarun, Shenghua, Datang e Huadian. A empresa também promove a tecnologia em outros países. Yu diz já ter recebido inclusive uma delegação brasileira.

O executivo explica que, diferente do Brasil, onde as térmicas a carvão ou gás atuam principalmente como complemento em uma matriz na qual predomina a energia hidráulica, na China elas têm papel preponderante. Em Shanghai, diz, Waigaoqiao supre cerca de 7% da necessidade de energia; outras térmicas, a carvão e gás, fornecem o equivalente a 43%. A outra metade é suprida por energia hidráulica e nuclear, diz.

A cidade tem um planejamento de longo prazo para 2040 com metas em várias áreas de desenvolvimento, inclusive meio ambiente. Melhorar a qualidade do ar é um dos objetivos.   

Em 2016, o governo local investiu 82 bilhões de iuanes (cerca de R$ 40 bilhões), ou 3% do seu PIB de 2,75 trilhões de iuanes (R$ 1,4 trilhão), em projetos de proteção ambiental.

A proporção de dias com qualidade do ar considerada boa em 2016 foi de 75,4%, ou 4,7 pontos percentuais acima do índice observado no ano anterior. A densidade diária de partículas inaláveis com diâmetro menor do que 2,5 micrômetros (PM 2.5) caiu 15%, para 45 µg/m³, segundo dados do Escritório de Informação do governo de Shanghai.

A meta para 2040 é de um índice anualizado de 20 µg/m³. O parâmetro para as emissões de gases é derrubar o volume em 15% em relação ao seu pico. Espera-se ainda que a proporção de energias renováveis na matriz chegue a 12% ou mais.  

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)

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Se não é renovável, que seja eficiente

21/08/2017

Adriane Castilho - Diário Comércio, Indústria e Serviços

SHANGHAI - Em 2008, seu primeiro ano de operação, a usina termelétrica Waigaoqiao Número 3, em Shanghai, na China, atingiu uma marca histórica: 287,44 gramas. Essa foi a quantidade média de carvão consumida para gerar 1 kilowatt-hora (kW/h), uma das medidas utilizadas para se avaliar a eficiência da queima desse combustível.

Até então, o melhor resultado era de 289 gramas, obtido na Dinamarca. Em 2011, novo recorde da chinesa: 276,02 gramas, o que a mantém entre as mais eficientes do mundo, diz Yu Xing Chao, diretor do Departamento de Pesquisas da usina, braço da estatal Shenergy Company, controlada pelo governo de Shanghai. Em 2015 (último dado disponível), em razão de variações do mercado e da carga de energia, a taxa ficou em 277,33 gramas, ligeiramente acima da melhor marca.

Se o carvão e outros combustíveis fósseis não se encaixam nas definições de fontes renováveis ou energias limpas, cabe buscar a maior eficiência possível na sua queima. Yu afirma que a usina, com duas unidades ultra-supercríticas de 1.000 MW cada, funciona hoje com níveis melhores de consumo de combustível e emissão de gases do que os planejados durante sua construção. As obras começaram em 2005 e receberam investimentos de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões) ao longo de três anos.

Yu diz que 2011, quando a usina atingiu sua melhor marca, foi o ano em que o governo chinês lançou um pacote de diretrizes para proteção ambiental que elevou a pressão sobre as térmicas. Em 2014, outra exigência: as usinas que utilizam carvão foram submetidas a um novo padrão para emissão de gases e partículas, mais rígido que os adotados em outros países, segundo o executivo.   

Além da quantidade de combustível consumida por unidade de energia gerada, observada em conjunto com a carga, há que se medir a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e partículas. Na China, o padrão fixado em julho de 2014 para as térmicas a carvão é de um máximo de 100 mg/m³ de NOx, mais rigoroso que o teto de 135 mg/m³ nos EUA e de 200 mg/m³ na União Europeia. A usina de Waigaoqiao emite 16,89 mg/m³ de NOx, afirma Yu.

A emissão de SO2 fica em 15,50 mg/m³, abaixo do limite chinês de 50 a 100 mg/m³ (teto de 184 nos EUA e 200 na Europa). Para as partículas, a taxa emitida pela unidade é de 2,17 mg/m³, afirma, longe do máximo de 20 a 30 mg/m³ na China (20 nos EUA e 30 na Europa).

As instalações da usina incluem caldeiras fornecidas pela francesa Alstom e turbinas da alemã Siemens, manufaturadas na China. Segundo informações técnicas da Siemens, as turbinas a vapor e os geradores contribuem para reduzir a taxa de emissões de carbono de Waigaoqiao em quase 2 milhões de toneladas por ano se comparada às de outras usinas a carvão na China.

O processo de geração é patenteado pela Waigaoqiao, que já fez acordos com outras companhias para aplicar o modelo no retrofit das usinas de Huarun, Shenghua, Datang e Huadian. A empresa também promove a tecnologia em outros países. Yu diz já ter recebido inclusive uma delegação brasileira.

O executivo explica que, diferente do Brasil, onde as térmicas a carvão ou gás atuam principalmente como complemento em uma matriz na qual predomina a energia hidráulica, na China elas têm papel preponderante. Em Shanghai, diz, Waigaoqiao supre cerca de 7% da necessidade de energia; outras térmicas, a carvão e gás, fornecem o equivalente a 43%. A outra metade é suprida por energia hidráulica e nuclear, diz.

A cidade tem um planejamento de longo prazo para 2040 com metas em várias áreas de desenvolvimento, inclusive meio ambiente. Melhorar a qualidade do ar é um dos objetivos.   

Em 2016, o governo local investiu 82 bilhões de iuanes (cerca de R$ 40 bilhões), ou 3% do seu PIB de 2,75 trilhões de iuanes (R$ 1,4 trilhão), em projetos de proteção ambiental.

A proporção de dias com qualidade do ar considerada boa em 2016 foi de 75,4%, ou 4,7 pontos percentuais acima do índice observado no ano anterior. A densidade diária de partículas inaláveis com diâmetro menor do que 2,5 micrômetros (PM 2.5) caiu 15%, para 45 µg/m³, segundo dados do Escritório de Informação do governo de Shanghai.

A meta para 2040 é de um índice anualizado de 20 µg/m³. O parâmetro para as emissões de gases é derrubar o volume em 15% em relação ao seu pico. Espera-se ainda que a proporção de energias renováveis na matriz chegue a 12% ou mais.  

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)

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