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Há dois meses, o governador José Ivo Sartori (PMDB) voltou de uma missão ao Japão onde a principal agenda foi a negociação de um investimento de US$ 2 bilhões para uma megausina termelétrica a carvão de 1.000 MW a ser instalada na região do Baixo Jacuí, possivelmente no município de Charqueadas. O projeto prevê o uso da tecnologia japonesa Ultra Super Crítica, que minimiza a poluição das emissões atmosféricas e maximiza a geração de energia com a queima do combustível fóssil. A empresa de mineração Copelmi, que participou da viagem ao país oriental e fornecerá o insumo se o projeto sair do papel no Estado, enviou toneladas de carvão ao Japão para testes. Os resultados foram positivos e os japoneses demonstraram interesse no Rio Grande do Sul. Se tudo der certo, a energia a ser gerada nesta usina será contratada em um leilão entre 2020 e 2021 e será produzida em 2024 ou 2025, isto é, uma década depois do contato inicial com as empresas do Extremo Oriente. Companhias do Japão podem, inclusive, fazer o aporte de US$ 2 bilhões, já que têm interesse em exportar a tecnologia Ultra Super Crítica para o mundo. Faltava "combinar com os russos", isto é, garantir junto ao governo federal as condições para que o empreendimento saia do papel. A primeira era a retomada dos leilões de energia a carvão, algo que não acontece desde 2014. Outra questão é o financiamento da empreitada. Como o Bndes parou de emprestar recursos para esse tipo de energia, a saída é buscar dinheiro no exterior, o que exigiria contratos, ao menos em parte, dolarizados. Por tudo isso, foi cercada de grande expectativa a visita do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ao Estado, no final de julho, para tratar do assunto. Em meio à instabilidade política no País - o parecer sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) ainda não havia sido votado na Câmara dos Deputados -, o ministro apenas acenou com a possível inclusão do carvão em leilões de energia. Pois a grande notícia veio nesta segunda-feira, quando o Ministério de Minas e Energia publicou no Diário Oficial da União a Portaria nº 293, que estabeleceu as diretrizes para dois leilões de energia que serão realizados em dezembro, com a inclusão de projetos termelétricos a carvão no certame A-6 (com seis anos de prazo para a usina sair do papel). Embora os vencedores dependam da confirmação de demanda pelos compradores (as distribuidoras), pode-se dizer que é uma nova chance para o carvão do Rio Grande do Sul, que detém cerca de 90% das reservas do mineral no País. Três projetos a carvão previstos para Candiota podem entrar no leilão deste ano: Ouro Negro, Pampa Sul II e Eneva Sul. A megausina do Baixo Jacuí ainda precisaria da licença ambiental e só deve participar de leilões em 2020 ou 2021. De qualquer forma, a chamada para o certame rompe com a perda progressiva de espaço do carvão. As usinas gaúchas estão sendo fechadas. A partir de 2018, só uma estará em operação: a Fase C do complexo termelétrico de Candiota. Outro investimento já aprovado é a usina Pampa Sul, no mesmo município, com operação prevista para 2019. O movimento internacional pela redução das emissões atmosféricas para combater o aquecimento global é um processo sem volta. Ninguém quer poluição. Mas investimentos bilionários - a megausina no Baixo Jacuí e o Polo Carboquímico - podem aproveitar essa riqueza gaúcha. O desafio é agregar o uso de tecnologia de ponta, gerando energia a carvão sem prejudicar o ambiente.

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Há dois meses, o governador José Ivo Sartori (PMDB) voltou de uma missão ao Japão onde a principal agenda foi a negociação de um investimento de US$ 2 bilhões para uma megausina termelétrica a carvão de 1.000 MW a ser instalada na região do Baixo Jacuí, possivelmente no município de Charqueadas. O projeto prevê o uso da tecnologia japonesa Ultra Super Crítica, que minimiza a poluição das emissões atmosféricas e maximiza a geração de energia com a queima do combustível fóssil. A empresa de mineração Copelmi, que participou da viagem ao país oriental e fornecerá o insumo se o projeto sair do papel no Estado, enviou toneladas de carvão ao Japão para testes. Os resultados foram positivos e os japoneses demonstraram interesse no Rio Grande do Sul. Se tudo der certo, a energia a ser gerada nesta usina será contratada em um leilão entre 2020 e 2021 e será produzida em 2024 ou 2025, isto é, uma década depois do contato inicial com as empresas do Extremo Oriente. Companhias do Japão podem, inclusive, fazer o aporte de US$ 2 bilhões, já que têm interesse em exportar a tecnologia Ultra Super Crítica para o mundo. Faltava "combinar com os russos", isto é, garantir junto ao governo federal as condições para que o empreendimento saia do papel. A primeira era a retomada dos leilões de energia a carvão, algo que não acontece desde 2014. Outra questão é o financiamento da empreitada. Como o Bndes parou de emprestar recursos para esse tipo de energia, a saída é buscar dinheiro no exterior, o que exigiria contratos, ao menos em parte, dolarizados. Por tudo isso, foi cercada de grande expectativa a visita do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ao Estado, no final de julho, para tratar do assunto. Em meio à instabilidade política no País - o parecer sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) ainda não havia sido votado na Câmara dos Deputados -, o ministro apenas acenou com a possível inclusão do carvão em leilões de energia. Pois a grande notícia veio nesta segunda-feira, quando o Ministério de Minas e Energia publicou no Diário Oficial da União a Portaria nº 293, que estabeleceu as diretrizes para dois leilões de energia que serão realizados em dezembro, com a inclusão de projetos termelétricos a carvão no certame A-6 (com seis anos de prazo para a usina sair do papel). Embora os vencedores dependam da confirmação de demanda pelos compradores (as distribuidoras), pode-se dizer que é uma nova chance para o carvão do Rio Grande do Sul, que detém cerca de 90% das reservas do mineral no País. Três projetos a carvão previstos para Candiota podem entrar no leilão deste ano: Ouro Negro, Pampa Sul II e Eneva Sul. A megausina do Baixo Jacuí ainda precisaria da licença ambiental e só deve participar de leilões em 2020 ou 2021. De qualquer forma, a chamada para o certame rompe com a perda progressiva de espaço do carvão. As usinas gaúchas estão sendo fechadas. A partir de 2018, só uma estará em operação: a Fase C do complexo termelétrico de Candiota. Outro investimento já aprovado é a usina Pampa Sul, no mesmo município, com operação prevista para 2019. O movimento internacional pela redução das emissões atmosféricas para combater o aquecimento global é um processo sem volta. Ninguém quer poluição. Mas investimentos bilionários - a megausina no Baixo Jacuí e o Polo Carboquímico - podem aproveitar essa riqueza gaúcha. O desafio é agregar o uso de tecnologia de ponta, gerando energia a carvão sem prejudicar o ambiente.

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Uma nova chance para o carvão do Rio Grande do Sul

09/08/2017

Jornal do Comércio

Há dois meses, o governador José Ivo Sartori (PMDB) voltou de uma missão ao Japão onde a principal agenda foi a negociação de um investimento de US$ 2 bilhões para uma megausina termelétrica a carvão de 1.000 MW a ser instalada na região do Baixo Jacuí, possivelmente no município de Charqueadas. O projeto prevê o uso da tecnologia japonesa Ultra Super Crítica, que minimiza a poluição das emissões atmosféricas e maximiza a geração de energia com a queima do combustível fóssil. A empresa de mineração Copelmi, que participou da viagem ao país oriental e fornecerá o insumo se o projeto sair do papel no Estado, enviou toneladas de carvão ao Japão para testes. Os resultados foram positivos e os japoneses demonstraram interesse no Rio Grande do Sul. Se tudo der certo, a energia a ser gerada nesta usina será contratada em um leilão entre 2020 e 2021 e será produzida em 2024 ou 2025, isto é, uma década depois do contato inicial com as empresas do Extremo Oriente. Companhias do Japão podem, inclusive, fazer o aporte de US$ 2 bilhões, já que têm interesse em exportar a tecnologia Ultra Super Crítica para o mundo. Faltava "combinar com os russos", isto é, garantir junto ao governo federal as condições para que o empreendimento saia do papel. A primeira era a retomada dos leilões de energia a carvão, algo que não acontece desde 2014. Outra questão é o financiamento da empreitada. Como o Bndes parou de emprestar recursos para esse tipo de energia, a saída é buscar dinheiro no exterior, o que exigiria contratos, ao menos em parte, dolarizados. Por tudo isso, foi cercada de grande expectativa a visita do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ao Estado, no final de julho, para tratar do assunto. Em meio à instabilidade política no País - o parecer sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) ainda não havia sido votado na Câmara dos Deputados -, o ministro apenas acenou com a possível inclusão do carvão em leilões de energia. Pois a grande notícia veio nesta segunda-feira, quando o Ministério de Minas e Energia publicou no Diário Oficial da União a Portaria nº 293, que estabeleceu as diretrizes para dois leilões de energia que serão realizados em dezembro, com a inclusão de projetos termelétricos a carvão no certame A-6 (com seis anos de prazo para a usina sair do papel). Embora os vencedores dependam da confirmação de demanda pelos compradores (as distribuidoras), pode-se dizer que é uma nova chance para o carvão do Rio Grande do Sul, que detém cerca de 90% das reservas do mineral no País. Três projetos a carvão previstos para Candiota podem entrar no leilão deste ano: Ouro Negro, Pampa Sul II e Eneva Sul. A megausina do Baixo Jacuí ainda precisaria da licença ambiental e só deve participar de leilões em 2020 ou 2021. De qualquer forma, a chamada para o certame rompe com a perda progressiva de espaço do carvão. As usinas gaúchas estão sendo fechadas. A partir de 2018, só uma estará em operação: a Fase C do complexo termelétrico de Candiota. Outro investimento já aprovado é a usina Pampa Sul, no mesmo município, com operação prevista para 2019. O movimento internacional pela redução das emissões atmosféricas para combater o aquecimento global é um processo sem volta. Ninguém quer poluição. Mas investimentos bilionários - a megausina no Baixo Jacuí e o Polo Carboquímico - podem aproveitar essa riqueza gaúcha. O desafio é agregar o uso de tecnologia de ponta, gerando energia a carvão sem prejudicar o ambiente.

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