Terça-feira, 27 de Julho de 2010
Newsletter ABCM - ANO V - nº 188
ABCM News - Informativo eletrônico da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CARVÃO MINERAL ANO V - nº 188 - Para sugestões, críticas e opiniões, clique aqui |
| | Mudanças climáticas e choque de realidade | | | | Por Ricardo Augusto Felício, Daniela de Souza Onça e Geraldo Luís Lino * Na medida em que se aproxima a conferência climática de Cancún (COP-16), em dezembro próximo, o complexo internacional de interesses que se estabeleceu em torno da alegada ameaça global das mudanças climáticas causadas pelo homem se agita para apresentar propostas visando a consolidar o tema como um elemento chave da política mundial. Em particular, as atenções estão voltadas para o Brasil, do qual aqueles grupos esperam uma posição de liderança em relação à agenda proposta para as restrições das emissões de carbono oriundas do uso de combustíveis fósseis. Não obstante, o que se necessita quanto à questão das mudanças climáticas, e não apenas no Brasil, é a troca do catastrofismo inconsequente e infundado pela ciência sólida dos fatos comprovados e, sobretudo, pelo bom senso. Há pelo menos cinco bons motivos para se neutralizar o alarmismo climático. O primeiro é que, por incrível que pareça, ele carece de base científica. Apesar de todo o alarido a respeito, não há qualquer evidência observada no mundo real que permita atribuir às pequenas variações das temperaturas atmosféricas e oceânicas, níveis do mar e cobertura de gelo e neve observadas desde meados do século XIX, causas diferentes das oscilações muito maiores constatadas nas escalas de tempo histórica e geológica. Portanto, não há como atribuí-las às emissões de carbono humanas. Todos os argumentos contrários se apoiam em projeções de modelos matemáticos que tentam simular a dinâmica climática, baseados em premissas de comportamento de poucos elementos que interferem nela, mas sem a devida correspondência com muitas evidências cruciais observadas. É preciso se entender que tais modelos são ferramentas científicas de utilidade muito limitada e, com os seus atuais níveis de incertezas (situação que não deve se alterar em curto prazo), não servem para orientar políticas públicas de alcance global. O segundo é que ele está corrompendo o processo científico e o papel da ciência na sociedade. A começar pela insistência na imposição de uma hipótese que contraria evidências observadas e alguns princípios físicos elementares, mas é motivada por uma combinação de interesses acadêmicos, ideológicos, políticos, econômicos e midiáticos restritos, em uma avalanche que tem início já nos livros escolares. Aí também se inclui a idéia equivocada de que a ciência avança por algum tipo de "consenso" numérico, e não por um processo permanente de convergência de hipóteses e observações. Opinião de uma maioria não é critério de verdade. E o mesmo ocorre com a distorção do conceito de ceticismo, que ganhou uma conotação pejorativa para designar os críticos da hipótese antropogênica, como se o ceticismo permanente diante do conhecimento prevalecente não fosse um requisito de qualquer cientista digno do nome. Para agravar o problema, é comum que os "céticos" sejam tratados como charlatães, mercenários ou adeptos de teses exóticas. Tais ataques ad hominem refletem não mais que a fragilidade da argumentação "aquecimentista". O terceiro é o prejuízo de um melhor - e imprescindível - entendimento da dinâmica climática. Ao atribuir o protagonismo no sistema climático aos gases de efeito estufa, especialmente ao dióxido de carbono (CO2), a hipótese antropogênica subestima a enorme multiplicidade e complexidade das interações dos fatores astronômicos, atmosféricos, oceânicos, geológicos e biológicos que interferem no clima terrestre, além das grandes oscilações climáticas do passado histórico e geológico, muito mais amplas e, com frequência, mais rápidas que as verificadas desde a Revolução Industrial do século XVIII. Ademais, os "aquecimentistas" propalam um retrocesso científico, pois a idéia de que o clima é absolutamente previsível já foi desqualificada há tempos. Em quarto vem o desvio de atenções das reais emergências globais, sendo o caso mais dramático o das deficiências de saneamento, cujas consequências constituem de longe os maiores problemas ambientais do mundo. Cerca de 40% da população mundial não têm acesso ao saneamento mais simples, o que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), acarreta a morte de 2,3 milhões de crianças por ano - uma a cada 14 segundos. No Brasil, menos da metade da população tem acesso à rede de esgotos e a contaminação da água e a falta de saneamento são responsáveis por 63% das internações pediátricas e 30% das mortes de crianças com menos de um ano de vida. Apesar disso, é raro ver grandes ONGs ambientalistas e/ou a mídia engajada fazendo campanhas ruidosas em prol do saneamento básico na América Latina, África e Ásia. Talvez porque a proeminência das questões ambientais não seja definida pela sua real importância, mas pela dimensão política e econômica por trás delas. A hipótese do aquecimento global antropogênico tem proporcionado o advento de uma lucrativa indústria de "baixo carbono" e um mercado de créditos de carbono de centenas de bilhões de dólares. Diante disso, quem há de se importar com saneamento para populações pobres? Quinto, além de desnecessária, a "descarbonização" da base energética da economia mundial é inviável, pois mais de 80% da energia consumida no planeta dependem do petróleo, gás natural e carvão mineral. Como não há condições tecnológicas e econômicas para que tal dependência se reduza significativamente nas próximas décadas, a agenda proposta de redução das emissões de carbono implicaria num virtual congelamento dos atuais níveis de consumo per capita de energia, com consequentes impactos negativos na redução das desigualdades socioeconômicas em escala global - ou seja, uma perpetuação delas travestida de compromisso com as gerações futuras. Em suma, a resposta da Humanidade às mudanças do clima - que constituem o seu estado permanente - deve ser um melhor conhecimento sistêmico da dinâmica climática e o aumento da sua resiliência diante delas, permitindo uma maior capacidade de adaptação frente a climas mais quentes ou mais frios (como o Homo sapiens vem fazendo durante toda a sua existência). Por tudo isso, é preciso promover um choque de realidade nessa questão crucial para o futuro imediato da Humanidade. Quanto ao Brasil, o país deve precaver-se quanto ao canto de sereia dos "aquecimentistas" e esquivar-se de assumir qualquer atitude temerária diante de uma ameaça inexistente. * Ricardo Augusto Felício - Doutor em Climatologia e professor do Departamento de Geografia da USP; Daniela de Souza Onça - Mestre e doutoranda em Geografia Física pela USP; Geraldo Luís Lino - Geólogo e autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009). Publicado em 23/07/2010 - Monitor Mercantil
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| | Moçambique vai concessionar mais projetos de exploração de carvão | | | | Macau hub - 22/07/2010 A ministra dos Recursos Minerais de Moçambique, Esperança Bias, revelou, em Maputo, que novos projetos de exploração de carvão nas zonas vizinhas à bacia carbonífera de Moatize, em Tete, poderão ser concessionados “em breve”. De acordo com a ministra, naquele ponto da província de Tete “existem áreas em que os trabalhos de pesquisa estão em estágio bastante avançado, com resultados positivos”. Entre os projectos que deverão ser concessionados consta o de carvão do Zambeze, promovido pela Riversdale Mining, bem como os das empresas Ncondezi e JPSW, segundo indicou Esperança Bias. Falando na Conferência Internacional sobre Carvão, a ministra salientou que a médio prazo ter-se-á um melhor conhecimento geológico sobre outras bacias carboníferas existentes no país, esperando-se que possam vir igualmente a ser exploradas. “Estão presentemente criadas condições para a produção e exportação anual de várias dezenas de milhões de toneladas de carvão a partir da região carbonífera de Moatize. Existem recursos geológicos, disponibilidade financeira por parte de investidores e mercado assegurado para a comercialização dos produtos”, sustentou Bias. Dois importantes projetos estão a ser desenvolvidos em Tete: o da brasileira Vale, com um investimento estimado em 1,3 bilhão de dólares e o da australiana Riversdale Mining, na ordem de 849 milhões de dólares.
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| | Serra defende rapidez nos investimentos | | | | Parte das prioridades catarinenses na área de infraestrutura pode ser resolvida com mais rapidez junto com a iniciativa privada. Este foi um dos pontos defendidos pelo candidato à Presidência da República, José Serra, no Painel RBS, ontem à tarde. Ele propôs o regime de concessão para novos aeroportos e para a duplicação de rodovias no interior de Santa Catarina, como as BRs 282 e 470, com a transferência das duas para o governo do Estado. Sobre a carência de trabalhadores qualificados em praticamente todas as áreas, o candidato disse que o seu programa de governo prevê a formação de 1 milhão de pessoas no país. Além disso, prometeu que, se eleito, vai dar continuidade aos projetos em andamento. Também disse ser favorável a mais investimentos em geração térmica a carvão com tecnologias limpas e prometeu executar os investimentos da União no projeto de recuperação de passivo ambiental da região carbonífera do Estado. Desindustrialização O presidenciável José Serra (foto) fez a lição de casa antes de falar aos industriais catarinenses, na Federação das Indústrias (Fiesc), ontem. Afirmou que Santa Catarina é o estado mais industrializado em relação ao total da população e reconheceu que está ocorrendo um processo de desindustrialização no Brasil em função das políticas tributárias e cambiais. – Santa Catarina é muito vitimada por políticas econômicas que desfavorecem a indústria, com benefícios a empregos na China e sudeste asiático, apesar de tudo o que se fala – afirmou. Serra, que foi recepcionado na Fiesc pelo presidente em exercício da Fiesc, Glauco José Côrte e o diretor secretário da entidade, Mário Cézar Aguiar, recebeu um levantamento das prioridades da indústria catarinense. Defendeu alterações tópicas para viabilizar uma reforma tributária gradual.
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| | ABCM e Siecesc reelegem presidentes | | | | O engenheiro Fernando Zancan foi reeleito para a presidência da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), entidade criada em 2006 para defender os interesses do setor. E o engenheiro Ruy Hülse foi reeleito presidente do Sindicato da Indústria da Extração do Carvão (Siecesc) para mais um mandato de três anos. | |
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